Texto. Salmo 103.

Um novo ano se aproxima e como sempre as esperanças das pessoas são renovadas. Metas são traçadas, resoluções são prometidas e todas as pessoas de alguma maneira sempre acham que o ano que se aproxima será melhor que o anterior. Todos ficam reflexivos, passam a fazer uma análise interior de si mesmos, e assim por diante.

Porém, um fato permanece inalterado. Deus nunca faz parte de suas esperanças ou resoluções! Muitas vezes, nem mesmo entre os crentes.

A autoanálise (guardadas as devidas proporções e seguindo o que a palavra de Deus nos ordena) não é ruim, mas se Deus não for o resultado final dessa análise, tudo é inútil. Davi se autoanalisou tendo como centro dessa análise todo o amor de Deus em sua vida.

Nos Salmo 103, um salmo de louvor a Deus, Davi reconhece a graça, benevolência e misericórdia de Deus.

Uma breve divisão do salmo:

– Vv. 1 – 5 – Louvor ao Senhor por seus benefícios; (autorreflexão).

– Vv. 6 – 10 – Louvor ao Senhor por sua misericórdia;

– Vv. 11 – 14 – Louvor a Glória de Deus, seu poder e cuidado amoroso;

– Vv. 15 – 19 – Comparação da nossa transitoriedade com o seu reinado eterno;

– Vv. 20 – 22 – Conclamação para que todos glorifiquem a Deus.

Vamos analisar alguns versículos desse salmo, mas não na ordem exata. Comecemos pelos versículos 14 a 16 que menciona a transitoriedade do homem.

Nesse sentido, conforme o que também ensina Tiago 4: 13 a 16, não podemos e não devemos planejar nosso futuro baseado na nossa própria suficiência, visto que somos pó.

O que vemos nessa época do ano em particular é o homem fazer planos para o futuro, onde a vontade de Deus não é levada em consideração nem mesmo por alguns pelos crentes em muitas ocasiões.

Nossas resoluções, nossos planos para o futuro devem sempre ser colocados diante de Deus para que Ele nos dê o direcionamento correto!

Jonathan Edwards, entre 1722 e 1723, quando tinha entre 18 e 19 anos, escreveu 70 resoluções nas quais expunha propósitos para sua vida cristã. Vejamos algumas dessas resoluções escritas por aquele jovem cristão do século XVIII:

Resolução 16. Resolvi nunca falar mal de ninguém, de forma tal que afete a honra da pessoa em questão, nem para mais nem para menos honra, sob nenhum pretexto ou circunstância, a não ser que possa promover algum bem e que possa trazer um real benefício. 

Resolução 20. Resolvi manter a mais restrita temperança em tudo que como e tudo quanto bebo.

Resolução 28. Resolvi estudar as Escrituras de tal modo firme, preciso, constante e frequente que me seja tornado possível e que me aperceba em mim mesmo de que estou crescendo no conhecimento real das mesmas. 

Não eram resoluções de ano novo, mas sim de propósito de vida. Não estou sugerindo que tenhamos ou sigamos as mesmas resoluções de Edwards, mas, que nossas resoluções tenham caráter espiritual ainda que relacionadas a coisas materiais, como por exemplo, a resolução 20 acima citada que é voltada a comida e bebida, algo tão banal, mas que muitos sofrem (inclusive em questões de saúde) por conta do descontrole sobre esses itens.

Voltando ao Salmo 103, vemos Davi iniciar o seu louvor bendizendo o nome de Deus (v.1). No versículo 2, ele fala consigo mesmo, faz uma autorreflexão.

Como é fácil nos esquecermos das coisas; em especial das coisas que Deus nos faz. Quando pensamos em 2019, caminhando para 2020, a maioria de nós só pensa nos fracassos e não nas benevolências de Deus.

Com relação à misericórdia de Deus, vejamos o versículo 10 do Salmo 103. Vemos aqui a longanimidade, bondade e misericórdia de Deus em nossas vidas, que não nos tratou segundo os nossos pecados nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades!

Em razão de tudo isso, deveríamos seguir o exemplo de Edwards e fazer as nossas resoluções que envolvam a nossa vida espiritual de maneira que agrade a Deus. Novamente, não estou sugerindo que tenhamos as mesmas resoluções de Jonathan Edwards, mas, que assim como ele, nossas resoluções (que não precisam ser necessariamente de ano novo e sim para aplicarmos às nossas vidas o tempo todo) sejam voltadas a agradar a Deus!

Somos indivíduos diferentes com temperamentos e necessidades diferentes e cada um sabe qual seria a resolução adequada a si mesmo. Contudo, quero sugerir algumas resoluções que deveriam ser seguidas por todos os crentes. Vamos a elas:

  1. Ter consciência do pecado; e rogar a Deus que nos ajude a não só a enxergar o nosso pecado, como nos arrepender dele e clamar a Deus que o afaste de nós. Sl. 103:12.

  2. Buscar uma vida piedosa. I Tm. 4: 7 – 9. Res. 28. Resolvi estudar as Escrituras de tal modo firme, preciso, constante e frequente que me seja tornado possível e que me aperceba em mim mesmo de que estou crescendo no conhecimento real das mesmas (Resolução 28 de Edwards). 

  3. Buscar a santificação. Rm. 8: 5 – 10. Contraposição entre mente espiritual x mente carnal. Rm. 8: 13. (Abnegação; santificação).

  4. Trabalhar na obra de Deus. Há certa acomodação no povo de Deus. O trabalho sempre é feito pelas mesmas pessoas. Mt. 9: 35 – 38. Poucos são os ceifeiros e falta prontidão de vontade!

Todos são chamados a trabalhar na obra de Deus. I Co. 15: 58.

Nossos afazeres pessoais não podem servir de desculpas para que não trabalhemos na obra de Deus.

Nossas dificuldades, de igual modo, não podem ser empecilhos para servirmos a Deus. Sl. 126: 5 – 6 (Semeadura espiritual; alegria no serviço).

  1. Misericordiosos com todos. Às vezes somos mais tendenciosos a agir com justiça e não misericórdia. Então, vamos nos lembrar daquele que é verdadeiramente justo e misericordioso. Mt. 5:7.

Creio que se aplicarmos ao menos esses 5 pontos em nossas vidas, teremos vidas espirituais muito mais vitoriosas!

Mais algumas passagens para meditarmos a respeito do tema:

Jo. 3: 16. Maior ato de graça e misericórdia de Deus a toda humanidade.

Tt. 3: 5 – 7. Misericórdia do plano de salvação.

Rm. 10: 14 – 15. O Simples ato de anunciar o evangelho é ato de misericórdia para com as almas perdidas.

A misericórdia está em muitas ocasiões atrelada ao perdão. Mt. 18: 23 – 35.

Contudo, temos que lembrar que, sejam quais forem as resoluções que vocês possam ter em seus corações, não teremos nenhum sucesso se não rogarmos a Deus que nos capacite a cumpri-las. Lembremos novamente do texto de Tiago 4, onde não temos como planejar nada por conta própria, e ainda que, ou principalmente que, sejam resoluções espirituais, dependemos de Deus para sermos bem sucedidos.

Quando Jonathan Edwards escreveu as 70 resoluções ele disse:

Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente Lhe rogo que, através de Sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da Sua vontade, em nome de Jesus Cristo”. 

E se você ainda não entregou a sua vida à Cristo, aproveite o momento para fazê-lo. Não deixe para amanhã, pois, como dissemos acima, o amanhã não nos pertence e não temos como planejá-lo!

Que Deus nos ajude a sermos fiéis, aplicados na sua obra e na pregação da palavra.

Deus o abençoe!

Helmo Freitas.

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